Empresários estão contra "redução" do Aeroporto da Horta

Davide Marcos, presidente da Câmara do Comércio e Indústria da Horta (CCIH) disse estar disponível para participar em várias formas de luta contra uma eventual redução da pista do Aeroporto da Horta, nos Açores, entre as quais uma manifestação pública de contestação“Se isto for para continuar neste banho-maria, a gente vai tomar reações diferentes e pensar numa estratégia diferente”, disse Davide Marcos em Conferência de imprensa na Horta.  

Em causa estão as declarações do presidente da Comissão Executiva da ANA/VINCE - Aeroportos de Portugal, Thierry Legionniére, que numa audição parlamentar realizada esta semana, na AR, admitiu que as RESAs (Runway End Safety Area / Áreas de Segurança no Fim da Pista), correspondentes a 90 metros em cada cabeceira da pista, possam vir a ser implementadas dentro dos 1 700 metros de comprimento da atual pista, por razões financeiras ou ambientais, em vez de ampliar a infraestrutura.

“A Câmara do Comércio, tal como a maior parte dos faialenses, reagiu negativamente a estas declarações”, frisou Davide Marcos, por entender que, além de uma “afronta”, as palavras do gestor da ANA “são precipitadas e incomodativas”, não apenas para os empresários, para toda a população. Ele entende que é preferível aguardar primeiro pelo relatório final que o Grupo de Trabalho criado pelo Governo da República está a ultimar, a propósito da eventual ampliação da pista do Aeroporto da Horta.

O Aeroporto da Horta tem cerca de 1 700 metros de comprimento, o que obriga os aviões A320 da Azores Airlines, nas ligações entre Lisboa e a Horta, a operar com penalizações operacionais, devido ao reduzido tamanho da pista.  A Agência Europeia para Segurança Aérea (EASA) impõe que este tipo de infraestruturas possua RESAs, o que implicaria, dizem eles, o aumento da pista em 90 metros em cada cabeceira da pista. Os faialenses andam a reivindicar uma ampliação para 2 000 metros de comprimento. 

Atendendo aos custos financeiros da ampliação, e a eventuais impactos ambientais, a ANA admite vir a criar as RESA dentro da pista já existente, reduzindo, na prática, o tamanho da infraestrutura. No comunicado divulgado após a audição na Comissão Parlamentar, a ANA esclareceu que a eventual redução do tamanho da pista do Aeroporto da Horta “não passa de um cenário que está a ser estudado”.

“O cenário em que as RESAs seriam realizadas dentro da pista existente, com redução das distâncias declaradas de pista, e consequentemente, com limitação à operacionalidade do Aeroporto, é um cenário que desagrada à ANA”, disse a empresa.



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