Falta muito para as Autárquicas 2021?

Dia 26 de setembro, data em que o eleitor votante vai determinar o rumo político a ser seguido para 4 anos pela Presidência da Câmara Municipal, da Assembleia Municipal e das Assembleias de Freguesia e Juntas de Freguesia, também a avaliar as estruturas partidárias locais e regionais. É, também, uma avaliação indireta ao Governo da República (com o suporte do BE e PCP) e à qualidade decrescente do Líder da Oposição (e dos seus fieis apoiantes).

A primeira decisão que se coloca é se vai votar ou não. Os números da Abstenção têm vindo a aumentar. Isto está relacionado com um julgamento negativo da atividade política e partidária, com a baixa qualidade dos políticos que vão a eleições (não é só os cabeças de listas e nem os lugares eleitos garantidos) e um sentimento de que o voto não vai contribuir para a Mudança. O alerta LARANJA continua a ser ignorado.

Porque não é só fazer uma Mudança, é saber quem são os fazedores da Mudança, e se fazer uma Mudança, é para conseguir o quê. Se a Mudança não corresponder ao que os eleitores idealizam e que lhe foi assegurado, vão sentir novamente enganados, frustrados, revoltados com a classe política, e cada vez mais descrentes e sem esperança.

É desinformação intensa que invade e inunda, repetitiva e tendenciosa. Isto faz que estejamos bastante mais suscetíveis a não raciocinar (falta de vontade, falta de tempo, cansaço mental, pura preguiça), a não buscar informação factual e credível e a usamos “atalhos cognitivos” para tomar uma decisão.

Nesta situação, aumenta bastante a nossa vulnerabilidade às estratégias de Marketing rigorosamente estudadas para - condicionar a nossa vontade e alterar a nossa perceção da realidade. Isso é uma tentativa de manipulação. Quem erra não é o manipulador. É quem deixou-se ser manipulado, não foi cauteloso, não foi prudente.

Marketing é uma arte que não é necessariamente prejudicial. As técnicas de Marketing usam-se para proveito pessoal, profissional, comercial, empresarial, governamental, político, eleitoral e religioso.

Julgamentos intuitivos. É o caso, por exemplo, quando votamos em alguém porque nos parece simpático e ouvinte, que fala muito bem, que diz aquilo que as pessoas querem ouvir, que se veste bem, tem uma boa imagem ou “aparenta” ser inteligente. No entanto, sabemos muito pouco ou ignorando por completo as competências humanas, profissionais, técnicas e políticas da pessoa para o cargo a que se candidata. E quando percebe, vai disser: “Fui enganado(a). Eu não votei nisto. Não quero isto.”

Os líderes dos Partidos e Coligações não podem ser levados a sério enquanto não apresentam as listas dos seus candidatos completas e quando ainda não tem ainda um programa eleitoral que possa ser discutido e avaliado. É um tacticismo? Que seja.

Por isso, caro eleitor, deixe de lado a Propaganda eleitoral. Eles seguem o ritual que tem funcionado, mas que mobiliza cada vez menos, que é rígido, não exigindo muita inteligência política e o horror da renovação. Não vote em Partidos por uma questão de inteligência. Vote em candidato(a)s capazes (e suas equipas, e isto inclui os candidatos em lugares elegíveis e seus substitutos imediatos), com um bom programa eleitoral e uma visão de futuro.

Os líderes dos Partidos estão ficando testas-de-ferro que vivem dos Comunicados de Imprensa e de uma Comunicação Social subserviente, com receio de liderar uma Oposição séria, firme, inteligente e responsável, preferindo o conforto de fazer autoavaliação, criar fóruns como engodo e sem trazer resultados reais no futuro político, fugindo a debates com a sociedade e presos a conteúdos vazios de medidas concretas.

Tem ainda os simplistas, os populistas, os radicais e os mais extremistas. Tem os que querem continuar ou voltar ao Poder e que sofrem de cegueira seletiva e profundamente desmemoriados, uns dissimulados e que andam nas sombras, e outros, com diarreia verbal nos seus monólogos.

Categoria:Espaço & Opinião