“Rota dos Impérios” da Ilha do Faial

Entrevista com o jovem Diogo Freitas, de 19 anos, natural da freguesia de Castelo Branco, sobre a “Rota dos Impérios” da Ilha do Faial. A RC Horta - Estação Online quis dar a conhecer aos nossos ouvintes e leitores este novo Projeto, que resultou de muito trabalho, paixão e dedicação, e dar a conhecer o seu autor.

RC Horta - Como nasceu este Projeto?

Diogo Freitas - Surgiu através da realização da minha Prova de Aptidão Profissional (PAP) sendo este um projeto de fim de curso, e tendo em conta a minha ligação aos Impérios desde criança, este foi o Projeto que me surgiu para esta apresentação de final de curso.

RC Horta - Como foi se estruturando e amadurecendo as ideias?

Tal como evidenciei este Projeto nasceu no âmbito de um projeto de final de curso. Para isto, foi necessário pesquisa de muita de informação. Foi necessário consultar os professores, pessoas de mais idade relacionadas com os Impérios, jovens com interesse em atividades de caris cultural, algumas entidades, alguns sites e livros. Com isto consegui visionar a amplitude que o Projeto poderá vir a alcançar e não ficar limitado apenas a uma Avaliação Escolar, e dai, a minha candidatura para o Orçamento Participativo Jovem (OPJ) - promovido pela Câmara Municipal da Horta.

RC Horta - Que papel teve a Escola Profissional da Horta neste Projeto?

Diogo Freitas - A Escola Profissional da Horta teve um papel fundamental na escolha e elaboração do tema, atendendo a que inicialmente não seria este o Projeto que optaria por fazer. Recebi incentivo, uma vez que o Projeto era diferenciador e preservava a Cultura e a identidade faialense. Viram este Projeto com grande potencial para tornar-se num produto turístico diferenciador.

RC Horta - Que papel teve a Diretora Pedagógica / os formadores / os colegas de turma - no apoio a neste Projeto?

Diogo Freitas - A Diretora Pedagógica Ana Ribeiro teve um papel fundamental no desenvolvimento deste Projeto, uma vez que sempre esteve presente para me apoiar nas dificuldades que pudessem surgir ao longo do Projeto. Também, foi a Diretora Pedagógica Ana Ribeiro que me aconselhou a prosseguir com o Projeto “Rota dos Impérios”. Desde o início, que viu o potencial deste, embora sabendo a dificuldade na realização e sendo a informação um pouco escassa, mas acreditando tanto no potencial do Projeto como no meu para o desenvolver.

Quanto aos formadores destaco o papel do meu coordenador de curso, o formador Vitório Fidalgo, por todo o apoio prestado ao longo da concretização do Projeto, e posteriormente, ao incentivo prestado para a candidatura ao OPJ. Os restantes formadores sempre demonstraram disponibilidade para me ajudar no necessário.

Por fim, quanto aos meus colegas sempre demonstraram apoio e interesse no Projeto.

RC Horta - Como vês a religiosidade (conceito) e a espiritualidade (conceito) entre os jovens?

Nos dias de hoje, acho que os jovens estão cada vez mais desapegados á Religiosidade, embora tenham presente o seu conceito. No meu ver, isto deve-se a um maior acesso à Informação sobre este movimento e ao aparecimento de novas religiões.

RC Horta - Embora seja uma celebração religiosa, ela é muito apreciada por todas as pessoas, religiosas ou não, crentes ou não. É uma ocasião de Fé, mas também de companheirismo, de reencontro, de saudades, de Solidariedade e de Esperança. Isto faz sentido nos dias de hoje?

Diogo Freitas - A meu ver faz todo o sentido, atendendo a que não podemos generalizar. Eu observo que as pessoas partilham todo o conceito de companheirismo, reencontro, etc. Por outro lado, as pessoas que não partilham, ainda assim, existem pessoas não crentes que estão na linha da frente em todos os aspetos acima referidos, com exceção da celebração religiosa em si (celebram o Arraial e dão todo o apoio necessário para a realização das festividades). Pois bem, é como diz Raul Brandão: “é o povo que celebra, o povo grosseiro e rude, que trás para diante do Santo Espírito a Santa Matéria. O Padre apenas colabora.” Pois, esta festa tem como principal intuito a união e partilha pelos mais desfavorecidos. O que atualmente faz muita falta na nossa sociedade, não na vertente religiosa, mas, no geral.

RC Horta - Como achas que isso pode ajudar a fazer o nosso mundo melhor?

Diogo Freitas - Atendendo a que nos transmite valores essenciais quanto à vida em sociedade, e como já referi antes, o espírito de partilha, de companheirismo e solidariedade, são algo fulcral a implementar nos nossos dias.

RC Horta - Como as direções das Irmandades e as Juntas de Freguesias, podem dinamizar/otimizar as formas de celebração do Divino Espírito Santo?

Diogo Freitas - Os Impérios, em colaboração com as Juntas de Freguesia, poderiam fazer um esforço de modo a que durante o ano, por exemplo, se nos fins-de-semana estivesse aberto um Império por freguesia. Assim, era possível ir alternando dentro das freguesias, o Império a estar aberto em determinado fim-de-semana. Outra ideia, seria a implementação de portas de vidro no interior do Império de modo a que fosse possível ver o interior do mesmo, sem a necessidade de estar alguém presente durante todo o dia. Esta ideia, mesmo em época de pandemia, poderia ser benéfica, e dessa forma, evitando a entrada das pessoas no local.

RC Horta - E o papel dos Escuteiros, das Associações de Estudantes, por exemplo?

Diogo Freitas - Os Escuteiros poderiam realizar voluntariado nas instituições nos Impérios das freguesias, atendendo a que são dias de muito trabalho. As Associações de Estudantes poderiam desempenhar o papel de comunicar atividades de caris cultural na ilha.

RC Horta - Não deve ser mais um ritual cultural, mas uma vivência autêntica e genuína. Concordas?

Diogo Freitas – Sim, concordo.

RC Horta - Pode ser uma oportunidade de uma ligação intergeracional, de aprendizagens e partilha de saberes. Como vês isso?

Diogo Freitas - Sim pode. Vejo de uma forma bastante positiva, uma vez que a falta de convívio intergeracional é uma realidade. Nestes eventos, existe uma partilha de saberes e de convívio entre todas as idades, sendo isto algo muito positivo. Desde os mais “novos” aos mais “velhos”, se juntam todos para um bem comum.

RC Horta - Como foi recebido o Projeto pelo Executivo Municipal - do Presidente e dos vereadores?

Diogo Freitas - O Projeto foi recebido com grande agrado por todos os responsáveis pelo OPJ. Foi sempre muito apoiado - desde a apresentação dos resultados do vencedor do OPJ até á data de hoje. Sendo que toda a organização do OPJ, incluindo o Sr. José Leonardo, Presidente da CMH, deram grande importância a todos os participantes dos vários projetos, enaltecendo bastante o espírito de iniciativa e Cidadania de todos os jovens participantes.

RC Horta - Qual foi a reação da Comunicação Social na ilha?

Diogo Freitas - A Comunicação Social da ilha demonstrou bastante interesse na divulgação deste Projeto, uma vez que o mesmo é diferenciador.

RC Horta - Qual foi a reação dos Faialenses?

Diogo Freitas - A reação do povo Faialense no geral foi bastante boa e acolhedora.

RC Horta - Vais acompanhar de perto toda a execução do Projeto?

Diogo Freitas - Sim, vou e com muito entusiasmo, pois são realizadas várias trocas de ideias para que o Projeto não perca a sua essência. 

RC Horta - Quais são as tuas expetativas?

Diogo Freitas - As minhas expetativas para com o projeto são bastante boas. Uma vez que, para além de preservar o património cultural material, também preserva o património cultural imaterial.

RC Horta - A tua preocupação com os nossos Valores culturais, também se cruza com o teu gosto pela Natureza e dos Animais. Isso te faz um cidadão melhor? Mais consciente? Mais atento?

Diogo Freitas - Sim, uma vez que num futuro onde os três sejam possíveis de conjugar e obtenham a sua merecida valorização o mundo será bem melhor. Claro que valorizando estes gostos, todos os dias trabalho por ser um cidadão ativo e melhor.

RC Horta - Consideras ser um exemplo inspirador para outros jovens?

Diogo Freitas - Não diria que sou um exemplo ou inspiração para outros jovens. Mas, um jovem que luta para que os outros jovens possam valorizar a Cultura e ver que isto não é algo do nosso Passado que devemos desvalorizar, mas sim lutar pela preservação do nosso património, tanto material como imaterial.

Categoria:Entrevista com . . .

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