Entrevista com Cristina Carvalho

A Rádio Cidade Horta, tem como um dos seus objetivos publicitar o máximo de conteúdo interessante possível para os seus ouvintes. Deste modo decidimos contatar uma figura Faialense já conhecida por muitos, Cristina Carvalho, sobre a sua experiência enquanto atual Miss Portuguesa Açores 2019 e que futuramente este sábado passará a coroa.

Entrevista:


RCH - Olá Cristina, desde já queria agradecer por aceitares conversar um pouco connosco sobre ti. Para quem não sabe a Cristina foi eleita Miss Portuguesa Açores em 2019 e irá passar a coroa dia 19 de junho em Ponta Delgada. Correto?
CC - Sim, fui eleita Miss Portuguesa Açores em 2019, e após dois anos irei passar o testemunho já dia 19 deste mês.

RCH - Primeiramente diz-nos quem é a Cristina Carvalho? Quem és?
CC - Bem, vamos então às apresentações! Para quem não me conhece sou a Cristina Carvalho, tenho 27 anos, sou natural do Faial e estou neste momento a frequentar o 3º ano do curso de Serviço Social na Universidade dos Açores. Relativamente á minha personalidade, considero-me uma pessoa bastante carismática, expressiva, comunicativa, justa e um bocadinho persistente nos objetivos a que me proponho. Sou uma apaixonada pela minha terra, pelas minhas gentes, pela natureza e pelos animais, não tivesse eu nascido e crescido no campo. É na natureza que me refugio para fugir ao stresse e aos desafios do dia-a-dia e talvez por isso tenha um enorme respeito e consideração por tudo o que ela nos oferece. Não posso deixar de dizer que é na minha família que também vou buscar muita força e motivação para continuar a lutar por aquilo em que acredito, porque quero sempre que os meus irmãos me possam ver como um exemplo. No meio de tudo isto é impossível não mencionar o meu namorado que tem sido o meu maior apoio e alicerce nestes últimos dez anos, ele está por detrás de tudo o que faço e é ele quem mais me motiva a arriscar e a seguir os meus sonhos, costumo dizer que ele acredita mais em mim do que eu própria.

RCH - Sei que já participaste na Rainha da Semana do Mar, no Faial, em 2015 e foste eleita 2º Dama de Honor. Foi ai que nasceu a vontade de quereres participar em concursos de beleza ou já tinhas antes esse gosto?
CC - Não, já tinha participado anteriormente noutros concursos de beleza e participei na RSM (Rainha Semana do Mar) porque tive algum incentivo para tal e como também tinha alguma curiosidade por achar ter um formato diferente dos típicos concursos de beleza decidi participar.

RCH - Tendo em conta que esse concurso comparado com o de Miss Portuguesa Açores não tem nada haver, o que é que te levou a participares?
CC - Os concursos de beleza (MISSs) são um formato que me cativa há já alguns anos, exige uma preparação antes do concurso, durante o mesmo e após caso se seja eleita Miss. O que me levou a participar neste concurso é a exigência e o propósito do mesmo, gosto de me desafiar, gosto de tudo o que tenha a ver com a área da moda, desde a fotografia ao desfile e admiro bastante o trabalho que se desenvolve ao nível de projetos solidários. O lema da Miss Portuguesa por exemplo é a “Beleza pelo Bem”, e tudo o que tenha a ver com projetos solidários é algo que me preenche e me motiva bastante a nível pessoal daí também ter encontrado aqui mais um motivo para participar.

RCH - Como é que foi toda a experiência do estágio para Miss Portuguesa 2019?
CC - Depois de alguns anos a participar a nível regional em concursos, posso dizer que foi um grande sonho realizado ter a oportunidade de participar num concurso a nível nacional. Foi uma experiência muito gratificante, senti que ganhei muitas competências e uma aprendizagem enorme tanto a nível pessoal como profissional, porque estes concursos acabam por nos preparar não só para futuros concursos mas também muitas outras situações e acontecimentos na nossa vida. Temos uma formação e preparação a todos os níveis desde aulas de etiqueta, a sessões de beleza, a formação em passarela entre outros, e temos de conseguir adquirir todos esses conhecimentos e utilizá-los a nosso favor.

RCH - Quais foram as coisas que mais te marcaram dessa experiência?
CC - O momento que mais me marcou em toda a experiência do estágio do Miss Portuguesa 2019 foi sem dúvida quando subi ao palco enquanto representante do arquipélago dos Açores, não existem palavras para expressar a gratidão que senti por puder subir a um palco a nível nacional levando comigo todo o nosso arquipélago. Sinto muito, muito orgulho das pessoas, das tradições, da beleza de cada recanto das nossas ilhas e puder representar tudo isso é algo que não tem preço, é extremamente gratificante, faltam-se as palavras para descrever.

RCH - Achas que esse concurso está ao nível de qualquer mulher portuguesa?
CC - Acho que este concurso é acessível a qualquer menina/mulher que tenha interesse no mundo da moda e/ou em vivenciar essa experiência, não tem de existir um padrão de beleza, cada mulher é bonita com as suas características e acho que independentemente de tudo o que possam achar que se é preciso para se participar em concursos como este de beleza, o que mais me leva a admirar uma mulher é a luz que esta irradia, isto pode parecer muito bonito de me dizer, mas a verdadeira beleza vem do interior e acreditem que é percetível. E, na indecisão de participar ou não deverá fazê-lo porque independentemente de ganhar ou não um título irá certamente adquirir muitas experiências e boas recordações que irá levar para a vida.

RCH - Digamos que uma amiga tua quer participar e em vez de fazer uma pesquisa, fala diretamente contigo para perceber melhor toda a envolvência, e pergunta-te “o que é que é preciso para concorrer?”. Tanto a nível físico como psicológico, o que é que responderias?
CC - Responderia antes de tudo o que considero mais importante para se concorrer a um concurso como estes: se ela se sentia bem consigo mesma e se gostava ou tinha curiosidade, para ir em frente, mas que o principal segredo é gostar de si mesma, ou pelo menos trabalhar para tal e a partir desse momento é uma questão de transmitir esse bem-estar para os outros. A nível psicológico acho que nunca se está preparada porque nunca não se sabe ao certo o que nos espera, mas o principal é ser-se organizada e ir preparada para os eventos e as provas em que iremos participar. Não considero que tenha de existir um padrão, cada qual é como é e aí é que está a verdadeira beleza de cada mulher, mas esta é apenas a minha opinião.

RCH - Descreve resumidamente como é que tudo funciona, desde a inscrição ao grande dia.
CC - Tenho de confessar que tive praticamente um mês apenas para conseguir tratar de tudo isso, porque só depois de terminar o semestre e entrar oficialmente de férias é que tive realmente tempo para me dedicar a toda a preparação para a Miss Portuguesa. Durante esse mês de preparação tratei de arranjar todos os patrocínios que precisava para representar os Açores no meu melhor. Tive patrocínios da minha ilha, do Pico e ainda de São Miguel, desde as passagens, os out-fits, o corte e cuidados com o cabelo, os acessórios, à minha preparação física, entre outras coisas. Posso dizer que tive a sorte de ter as pessoas certas a apoiar-me e a fazer com que toda esta experiência fosse possível, mas admito que se não tivesses todos estes apoios/patrocínios esta experiência tornar-se-ia dispendiosa. Portanto ao longo de um mês preparei-me fisicamente, treinei para a minha prova de talento na qual decidi cantar, procurei ter todos os looks necessários e completos para as quase duas semanas de estágio, foi bastante desafiante conseguir conciliar tudo nesse mês porque tinha pouco tempo para tudo o que queria fazer, mas a minha vontade de participar era muito maior e no fim consegui fazer tudo o que tinha em mente.

RCH - Depois de teres sido eleita, a tua vida mudou? Sentiste que deixaste de ser a Cristina de 2018 e passaste a ser uma nova Cristina, a Cristina que é Miss Portuguesa Açores reconhecida nas redes sociais e afins?
CC - Não considero que tenha mudado, até porque cá nos Açores, o título atribuído dos concursos de beleza não tem um grande reconhecimento. Admito que dentro do meu círculo de conhecidos, família e amigos passei a ser carinhosamente chamada por “Miss”. Relativamente às redes sociais senti um crescimento resultante do empenho que comecei a aplicar, como tive alguns patrocínios senti necessidade de criar conteúdo para publicitar as parcerias que me estavam a apoiar e resultante desse trabalho começaram a surgir outros projetos.

RCH - Gostavas ou podes participar em mais concursos de beleza deste género?
CC - O que mais gostaria para terminar todo este percurso com chave de ouro era sem dúvida puder representar Portugal num concurso internacional. Foi-me dada essa oportunidade mesmo no ano em que fui eleita como Miss mas devido à data do mesmo que coincidia com o inicio do semestre tive de, com muita tristeza dizer que não, pois por mais que quisesse realizar este sonho a universidade era e é a minha grande prioridade, para além de que um concurso internacional exige algum tempo, responsabilidade, preparação e compromisso e se o fizesse queria ter a total disponibilidade e preparação para tal.

RCH - Agora que vais entregar a coroa, como te sentes? E é de realçar que a tens á mais tempo do que o suposto devido ao COVID, certo?
CC - Sim, a minha coroa foi desenhada e construída cuidadosamente por ourives na ilha de São Jorge e admito que ganhei um carinho enorme por esta peça tão única e simbólica. Tive-a ao longo de 2 anos guardada com muito carinho e talvez por ter sido mais tempo do que era suposto é que criei esta ligação tão forte. Irei passá-la à próxima Miss Portuguesa Açores já dia 19 deste mês e admito que apesar de saber que faz parte desta caminhada fazê-lo, não deixa de ser algo do qual me orgulho e sempre me orgulharei, de ter usado e erguido a coroa de representante dos Açores na minha cabeça ao longo deste tempo. É uma peça delicada e de uma beleza surreal, que arrepia e que guarda consigo uma simbologia enorme e que posso dizer que a tive por dois anos guardada com todo o respeito e carinho.

RCH - Estamos mesmo quase a terminar querida Cristina, que mensagem passarias á população Faialense no geral, mas principalmente às jovens mulheres que também tem o sonho de serem “princesas” como tu foste, e de certa forma sempre serás?
CC - Quero dizer a todas as meninas/mulheres da minha querida ilha que tem o sonho de serem representantes do nosso arquipélago que se tem vontade de o fazer que arrisquem, que não tenham medos, porque o medo também destrói sonhos. Arrisquem, lutem, aproveitem ao máximo todas as experiências que terão ao longo da vossa vida porque isso faz parte de todo o nosso processo de crescimento, mesmo que não se ganhe, mesmo que se receba um não, tudo tem uma razão para acontecer e eu antes de ser Miss Portuguesa Açores também cheguei a achar que não iria conseguir ir a um concurso a nível nacional representar a nossa região e isso aconteceu! Para as que não se identificam tanto com concursos de beleza, não quero deixar de lhes dizer que não deixam de ser “princesas” por isso, o importante em tudo na vida, no que quer que se faça, é fazê-lo com o coração, aí também encontramos a beleza de cada uma. No fim, o que realmente importa é que cada uma seja feliz e que consiga concretizar os seus sonhos, independentemente do que estes sejam.

RCH - Muito obrigado Cristina pela tua participação, de certeza que alguém irá identificar-se com o teu testemunho e com certeza que no futuro irá haver mais Faialenses a participar em concursos tão prestigiados como este. Um agradecimento final á Cristina pela sua colaboração, e á Mariana Fortuna, pela presente reportagem.

Fotografia: Carlos Carvalho e Vestuário de Vanity Fair Store

Entrevistador(a)/Repórter: Mariana Fortuna
Categoria:Entrevista com . . .

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